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domingo, 28 de fevereiro de 2016

Palestra de Introdução aos Sonhos Lúcidos- Márlon Jatahy






Postado por Márlon Jatahy 11

domingo, 14 de fevereiro de 2016

A Contribuição dos Sonhos Lúcidos para o Estudo da Consciência

     Quando estamos em um sonho lúcido, conseguimos manter nossa consciência presente durante o sonho. Significa que apesar do corpo estar paralisado (no sonho típico de REM, em atonia muscular de fase REM), com um forte isolamento sensorial, ainda assim, somos capazes de raciocinar, usar a memória e vivenciar sensações tão intensas como no estado desperto. Algumas experiências, devido ao diferente estado de ativação cerebral, podem ser ainda mais marcantes ou vívidas¹.

By Marcin nderivative work: Luis Felipe Schenone (talk) - Barin_in_a_vat_(template).svgSport.svg, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=9809594



     Em minha banca de monografia, com o tema "Sonhos são experiências? As Relações entre o Sonho e a Consciência a partir da questão proposta por Daniel Dennett", fui questionado pelo professor Dr. Ronei Mocellin (UFPR), sobre "que finalidade afinal ofereceria as pesquisas sobre sonhos lúcidos?". 
   Tratando-se é claro de uma banca de filosofia, comentei que uma das principais áreas com implicações interessantes é com relação ao estudo da consciência, estado mental no qual é oferecida uma oportunidade de se estudar um modelo diferente do estado desperto. Ao adentrarmos no estado mental do sonho lúcido, obtemos o que seria a experiência mais próxima possível do modelo do "cérebro numa cuba".   Pode-se lembrar do "argumento do sonho" proposto por Descartes em suas Meditações:

"Mas agora, é certamente com olhos despertos que olho este papel, não está
adormecida esta cabeça que movo. Estendo e sinto esta mão, cuidadosa e
coincidentemente. Alguém que dormisse não experimentaria isso de forma
tão clara. Como se não me lembrasse de já ter sido enganado por tais
pensamentos em sonhos! Pensando mais profundamente, vejo que não há
indícios certos que permitam distinguir o sonho da vigília. Isso me espanta,
e esse espanto é tal, que talvez confirme mesmo que possa estar dormindo" ²

         
Por Gaetan Lee . Tilt corrected by Kaldari. - originally posted to Flickr as Chimp Brain in a jar, CC BY 2.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=28819747


   Seja através da ideia do Cérebro em uma Cuba, do argumento de Zhuangzi ("sonhei que era uma borboleta...), do argumento do sonho de Descartes ou mais simplesmente do filme Matrix, a experiência dos sonhos conscientes, permite-nos explorar um estado mental em que presenciamos uma forma existencial diferenciada da vigília. 

  Certas áreas do cérebro estarão mais ativas que outras, a frequência das atividades eletro-encefálicas se realiza de modo distinto³, possibilitando um mergulho investigativo nas relações psíquico-físicas, como as alterações mentais de memória e capacidade de raciocínio... assim como a capacidade de percepção de todo um mundo meramente ilusório (janela preciosa de estudo frente ao problema da esquizofrenia, conforme comentou Sérgio Rolim em entrevista por aqui); construído pela mente do sonhador e capaz de produzir experiências tão vívidas.


Referências Bibliográficas:

1 - METZINGER T; Windt J. The Philosophy of Dreaming and Self-Consciousness: What Happens to the Experiential Subject during the Dream State?In D. Barret & McNamara (Ed). The new science of dreaming: Volume 3. Cultural and theoretical perspectives, (pp. 193-248). Westport & London: Praeger Perspectives, 2007.

2 -DESCARTES, R. Discurso do método, As Paixões da Alma e Meditações (Coleção Os Pensadores, vol. Descartes). São Paulo, Nova Cultural, 1999.

3 -MOTA ROLIM, Sergio Arthuro Mota. Aspectos epidemiológicos, cognitivo-comportamentais e neurofisiológicos do sonho lúcido. 2012. 331 f. Tese (Doutorado em Estudos de Comportamento; Psicologia Fisiológica) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2012.





Postado por Márlon Jatahy 4

domingo, 27 de dezembro de 2015

Experiencias táteis e Controle

A sensação tátil pode servir como meio de indução ao sonho lúcido. Tratado recentemente em textos anteriores, o uso do tato é particularmente eficiente para as situações em que nos flagramos conscientes em momentos anteriores à formação do sonho. 

Mesmo nos momentos de maior escuridão que antecedem os sonhos, com um lampejo de consciência, podemos aproveitar e utilizar a sensação do tato para adentrar o sonho com consciência. Na imagem, cena do excelente filme Matrix.


Em um sonho recente, após um despertar pela 5ª hora de sono para beber água, retornei a cama e na medida que adormecia, consegui manter em mente o plano de ficar consciente no sonho. Ao perceber que estava adormecendo, em meio a escuridão esmagadora pré-sonho, procurei utilizar-me da sensação de tato.

Tateei pela escuridão, procurando por alguma porta. Permaneci assim por um tempo, até que finalmente senti a textura do que parecia ser uma porta. Deslizei a mão até a região onde deveria estar a maçaneta. Encontrei-a e girei. A porta se abriu no que parecia ser um gigantesco andar vazio de um prédio.

Caminhei pelo andar vazio e comecei a observar diversas cadeiras e mesas nos cantos. Parei a caminhada e comecei a flutuar. Segui em frente, flutuando em pé. Estiquei meus braços para os lados apontando para as diversas cadeiras e elas fora arremessadas para o ar. Apontei para as mesas e flutuaram da mesma maneira. Segui flutuando em frente e observando um espelho, ao passar por ele virei-me para conferir qual seria dessa vez minha imagem... e vi a indumentária do Darth Vader em mim. Com capacete e tudo, continuei flutuando e arremessando todas cadeiras e objetos que estavam por ali. Sentia-me incrivelmente no controle desse sonho, como há muito tempo não acontecia.




Em seguida encontrei uma mulher de cabelos compridos sentada numa cadeira em uma pequena mesa. Aproximei-me do personagem e ao sentar devo ter caído em algum falso despertar ou simplesmente não recordo mais o que aconteceu.
Postado por Márlon Jatahy 19

domingo, 1 de novembro de 2015

Sonho Lúcido, uma crença?!

    Para Daniel Dennett¹, na época da publicação de seu texto(1978), o sonho lúcido nada mais era que apenas mais um tema de sonho como qualquer outro.

A idéia de sonhar que teve um sonho lúcido, para explicação dos sonhos lúcidos, foi um argumento usado por Daniel Dennett e resiste ao tempo como um modelo interessante. Na imagem, cena do excelente filme A Morte nos Sonhos.

    De fato a idéia de Dennett não só era um belo argumento para contestar a existência dos sonhos lúcidos - pelo menos até sua comprovação - assim como ainda serve para ajudar a identificar um tipo de sonho que pode trazer a ilusão da presença da consciência. 

    Assim... é possível alguém sonhar que teve um sonho lúcido e não ter ficado consciente no sonho? Essa questão intrigante já foi debatida "aqui" nosso Fórum de sonhadores lúcidos. E partindo daquelas argumentações muito bem colocadas pelos companheiro(a)s do fórum, mais os textos do Dennett², pode-se elaborar essa interessante perspectiva:

  Quando se sonha que teve um sonho lúcido, o sonhador não estaria munido de capacidade de raciocínio, reflexão ou memória da vigília. Seria apenas um sonho com esse tipo específico de tema, no qual há crença de ter ficado consciente, porém sem o comportamento reflexivo-mental típico de alguém desperto.

Outra cena do filme Dreamscape - A Morte nos Sonhos, de 1984.


    Exemplificando, em um sonho hipotético: 
(...)percebi que estava sonhando e voei. Nesse momento notei estar nu e ao olhar para baixo crianças soltavam risadas, para minha total vergonha. Tentei sair desesperado dali, porém acabei pousando lentamente e chorei. 

   Afinal posso sonhar que tinha uma super-memória, sonhar que era um grande gênio de absurda inteligência ou fenômeno criativo musical... sem que eu realmente tenha atingido essas habilidades. Da mesma maneira posso ter sonhador que fiquei consciente!... Porém ao analisar o sonho, como no exemplo acima exposto, evidencia-se a ausência de elementos básicos da consciência, como o raciocínio focado na percepção de que tudo era apenas um sonho e a memória de que na verdade eu estava dormindo na minha cama.

    Outros relatos típicos são os sonhos em que o sonhador pareceu ter alguma percepção de que estava sonhando, mas imediatamente passa a confabular com outros personagens do sonho, eufórico com a novidade... e insiste em conseguir reações inteligíveis, chegando mesmo a ficar frustrado com as reações(???) dos seus próprios construtos mentais, para logo depois cair em algum tipo de comportamento contraditório para com a presença da consciência.


De acordo com recentes pesquisas conduzidas por Ursula Voss, Windt e outros, talvez seja possível identificar fatores para uma escala de grau de consciência nos sonhos. Na imagem, cena do filme Skanner Darkly - O Homem Duplo, baseado na obra de Philip K. Dick.


    Para Ursula Voss, Windt(e outros)³, é possível estabelecer uma espécie de escala indicativa da presença da consciência ou da qualidade da lucidez no sonho. Esses fatores são: insight (nesse caso a percepção de se estar sonhando), raciocínio, memória, controle, tipos de emoção e autopercepção. Mas aqui já é tema para outro texto.

    Parece evidente que possa existir diferentes graus de consciência nos sonhos, assim como no estado desperto. Uma boa ferramenta para ajudar a reunir a concentração no sonho (e talvez intensificar a consciência) é fazer planos no estado desperto. Procure planejar experimentos que possam oferecer algum leve desafio. Só o fato de conseguir se lembrar disso a partir do estado mental do seu sonho, poderá contribuir bastante para qualidade do seu sonho lúcido.


DENNETT, Daniel C. Brainstorms: Ensaios Filosóficos Sobre Mente e Psicologia. São Paulo:      UNESP, 1978. p. 187-209

_________(1979): The Onus Re Experiences. Philosophical Studies 35: p. 315-318.

Voss, U., Schermelleh-Engel, K., Windt, J. M., Frenzel, C., & Hobson, J. A. (2013).
Measuring consciousness in dreams: the lucidity and consciousness in dreams scale.
Consciousness and Cognition, 22(1), 8–21.

Postado por Márlon Jatahy 18

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Incursão Mental em Memórias Antigas através dos Sonhos Lúcidos

         Em 1994, sentado em um banco de escola, fiz uma pausa e refleti sobre o tempo. Pensei em como seria poder retornar para aquele momento, do futuro. O experimento a seguir, objetivou alcançar memórias de décadas atrás, aproveitando o exercício de reflexão criado na época. A brincadeira foi realizada por um sonho lúcido, no qual ao ficar consciente, fui visitar essa lembrança.

Experimento em sonho lúcido com memórias antigas. Será possível acessar memórias do inconsciente, inacessíveis pelo estado desperto? Na imagem, a brilhante obra de Jim Starlim: Dreadstar.


As técnicas que utilizei foram, o uso de Diário de Sonhos, a técnica de indução MILD, Reality Checks das mãos e o Tato.

O Sonho Lúcido:

       Quando percebi, estava num ambiente escuro, procurei manter a consciência e fui sentindo o ambiente do sonho se formar, tateando primeiro pelo chão, passei para uma parede e desejei encontrar uma porta.
       Percebi estar na casa dos meus pais, lembrava a mesma da época em que estudara na Tupy. Olhei-me no espelho e brinquei de virar o Hulk. Meus músculos inchavam de acordo como eu queria. Sai do quarto e estava escuro. Percebi que ia acordar. Estava consciente, sentindo o chão e fui tateando no ambiente. , passei por algumas paredes e senti uma porta. Encontrei a maçaneta e abri desejando o cenário mais claro. O ambiente lembrava mesmo a casa dos meus pais. Porém ainda estava escuro. 



        Decidi comer alguma fruta para curtir a experiência. Passei pela cozinha e peguei da fruteira uma pêra. Também outra fruta eu mordi e parecia maça. Continuei a andar e o ambiente foi escurecendo. Procurei uma porta. Abri desejando o cenário de vinte anos atrás, onde fizera minha reflexão no banco da escola. Abri, vi a grama, o dia claro e a direita o banco o qual recordava estar sentado décadas atrás, refletindo sobre o tempo e como seria interessante poder voltar do futuro para aquele momento. A esquerda havia o corredor, com as salas de lado de um lado e a grama de outro.
        Caminhei e  num espelho vi meu reflexo de adolescente, com o rosto magro. Mais uma vez achei que ia acordar, mas mantive a consciência e  deixei o ambiente do sonho se reestruturar, tateando pelo chão, passei para uma parede e desejei encontrar a porta. Abri e fui rapidamente para garagem. Também escureceu rápido e achei q fosse acordar.  Fiz umas flexões no novo ambiente tateei e despertei.
Postado por Márlon Jatahy 26

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Experiência Tátil nos Sonhos


  A experiência tátil no sonho parece representar um valor interessante nas ocorrências de sonhos lúcidos. É possível encontrar dentre as técnicas de prolongamento do sonho, o ato de "esfregar as mãos".  Particularmente, prefiro me utilizar da minha Técnica das Portas, embora já tenha realizado alguns experimentos com a fricção das palmas, buscando protelar o fim do sonho.

Imagem do excelente filme Duna, baseado na obra-prima de Frank Herbert. Na cena, os guerreiros Fremen Fedaykin usam as mãos para marcar seus uniformes.


   O relato a seguir, vem de dois sonhos recentes que tive, utilizando-me do tato, como uma maneira de me manter firme, até o sonho terminar de se formar. Trata-se daqueles momentos que antecedem a estruturação do sonho. A aplicação da Técnica Tátil pode ser lida no texto anterior ou aqui.


Desafio: como meu inconsciente representaria para mim uma inteligência com 1 bilhão de anos?

    "Lembrei de uma última conversa com a Lúcia(minha noiva), sobre como seria encontrar um ser vivo, com inteligência desenvolvida por um bilhão de anos. Dentro da casa, recordei que tinha planejado encontrar num próximo sonho lúcido, um ser que tivesse um bilhão de anos.
    Abri portas procurando e me deparei com uma sombra ou uma figura negra, totalmente escura que rapidamente desapareceu. 


A Técnica das Portas é um ferramenta que criei e permanece de grande eficiência para mim. Serve para prolongar a experiência do sonho lúcido, adentrar num ambiente mais claro(quando o sonho começa a desabar), encontrar certos cenários, objetos ou pessoas.


      Segui atrás e encontrei uma senhora de costas, cabelo um pouco Chanel e castanho claro. Perguntei se seria possível ser alguém com um bilhão de anos ou daquela civilização com tanta idade. Respondeu-me com um leve sorriso. Depois dali prossegui pela casa encontrei uma mãe e uma criança. Cheguei a me questionar se seria outra representação desse desafio, já produzindo outro resultado e continuei me aproximando. Dei uma olhada e segui para fora.

    Lembrei de outra coisa que queria fazer faz tempo que era correr descalço sobre a grama. E logo encontrei, um gramado que beirava a rua. Corri sentindo a grama sob meus pés e relembrei a sensação, saltei quando ela acabava e brinquei um bocado assim. Tive vários falsos despertar, mas voltava consciente no sonho. 

    Em outro no inicio deles, eu senti a parede com trepadeiras nas minhas mãos. Fiz um personagem do sonho levitar e puxei ele como em telecinese até perto de mim. 
      Na minha conversa com o ser de um bilhão de anos, construído pelo meu inconsciente, bati um papo sobre o mundo, minha identidade e afins...

      Por fim, alcei voo muito feliz com as possibilidades sobre grandes prédios."


Neo voando sobre entre prédios em Matrix Reloaded. Um dos filmes que mais assisti ;D



      Minha próxima experiência, será sonhar com uma sequencia de memórias específicas de duas décadas atrás. Naquela época fiz uma reflexão de como seria interessante poder reviver o momento que estava passando. Eu estava sentado num banco da escola, fitando o grande corredor vazio. Vou me utilizar da técnica de indução MILD e recursos como Diário de Sonhos, Reality Checks das mãos. O tato acredito que será bem importante, como foi nesse último relato. Até lá!

Postado por Márlon Jatahy 19
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